domingo, 2 de outubro de 2011

O que é um Assentamento Israelense? Parte 1

Muito se fala sobre o assunto e para muitos eles representa um dos maiores desafios para alcançar um acordo entre Israelenses e Palestinos. Para entender o conflito Israelense Palestino é fundamental entender o que são e como funcionam esses assentamentos.

Os assentamentos também conhecidos como colônias judaicas são a pedra base da chamada “Ocupação Israelense”. Atualmente vivem cerca de 300.000 mil colonos Israelenses na Cisjordânia em aproximadamente 170 colônias. Essas colônias variam de tamanho e sofisticação. A grande parte desses colonos vivem nos grandes assentamentos, Male Adumim(1)(2), Ariel e Efrat(3) que são cidades bem estruturadas. Porem existem vários pequenos assentamentos espalhados pela Cisjordânia com poucas dezenas de famílias geralmente abitados por judeus religiosos que vivem em casas pré-fabricadas conhecidas como caravanas(4). Segundo um documento do Ministério da Defesa Israelense, 70% desses assentamentos possuem alguma irregularidade por não serem construídos de acordo com a autorização emitida, por construírem sem autorização ou em terras privadas palestinas.
Casa em Maale Adumim (1)
Operários Palestinos construindo casas em Maale Adumim (2)
Efrat (3)
Caravana (4)

Esses territórios tem um status legal complicadíssimo pelo fato da Cisjordânia não ter sido anexada pelo governo Israelense e por não fazer parte de nenhum país. Essas terras nunca foram um Estado Palestino, e sim parte da Jordânia que já declarou que não quer essas terras de volta e defende a criação da Palestina nessas terras. A grande parte da comunidade internacional considera ilegais as colônias israelenses na Cisjordânia.

No mapa abaixo podemos ver como a disposição das colônias na Cisjordânia. Essas colônias geralmente ocupam espaços altos e estratégicos por serem mais fáceis de defender. Algumas dessas colônias possuem estradas e infraestrutura própria e por sua disposição e medidas de segurança dificultam a movimentação palestina na Cisjordânia.

sábado, 1 de outubro de 2011

Palestinos versus Americanos!!!

Recentemente o governo Palestino submeteu um pedido na ONU para ser reconhecido como um estado independente nas fronteiras pré 1967 (antes da Guerra dos 6 dias).  A Casa Branca deixou claro que é contra medidas unilaterais e que os Palestinos deveriam voltar à mesa de negociações. Porem mesmo depois dos vários apelos feitos pelos enviados americanos, os palestinos se mantiveram duros na sua posição e se recusaram a qualquer tipo de acordo como se tornar estado observador na ONU (o mesmo status do Vaticano). Provavelmente os Palestinos sentem que a posição de liderança americana está em declínio, então decidiram peitar os americanos de maneira aberta. Os Palestinos colocaram Obama em uma posição extremamente desagradável e de certa forma vergonhosa por expor a fraqueza americana no cenário internacional. Agora Obama será obrigado a vetar o pedido Palestino colocando o país em uma posição difícil com os países árabes e com a opinião pública mundial.

Agora o congresso americano que é tradicionalmente pró Israel resolveu responder a ação unilateral palestina. Gary Ackerman, congressista por Nova York e responsável pelo comitê de Assuntos do Oriente Médio deu um recado claro para os Palestinos, “Se os Palestinos estão dispostos a colocar seu futuro nas mãos da ONU, então eles devem pensar com quanto os seus aliados na ONU vão contribuir para apoiar essa ação unilateral eles querem aprovar”, ou seja, já que os Palestinos estão apelando para os outros países ignorando os americanos então que esses países contribuam para sustentar os Palestinos, que tem como principal fonte de sustento ajuda internacional. Os USA contribuem com cerca de 600 milhões de dólares por ano para manter a Autoridade Palestina, a grande maioria dos palestinos vivem direta ou indiretamente dessa ajuda. Segundo o jornal britânico Independent o congresso já congelou 200 milhões de dólares em ajuda que estava destinado para os palestinos. Porem esse é só o primeiro passo, o rascunho do orçamento para 2012 condicionaria a ajuda aos palestinos à desistência da ação unilateral palestina. Em resposta a represaria americana a Arábia Saudita teria prometido 200 milhões de dólares para os palestinos, o que não garante a tranquilidade econômica palestina, pois os países árabes constantemente prometem ajuda para os palestinos, mas geralmente não cumprem com suas promessas. Apesar do apoio verbal dos países árabes e muçulmanos a autoridade palestina é basicamente sustentada pelos USA e EU (no futuro vou escrever um post para explicar melhor o que é essa ajuda e como funciona).

A administração Obama se declarou contra o congelamento dos fundos por achar que isso compromete a capacidade americana de proteger seus interesses na região em um momento critico. Bill Clinton declarou que os congressistas deveriam deixar o executivo cuidar do assunto e não interferir dessa maneira. De fato o governo americano está em uma péssima situação, por um lado não pode deixar a atitude palestina impune e por outro precisa proteger os palestinos moderados. 

Quem é quem no Conflito Árabe Israelense?

Parte 1 – No State actors – Os principais personagens não-estados
A ideia desse post é apresentar alguns dos principais atores que não são estados no conflito Árabe-Israelense e seus interesses. Não vou fazer uma apresentação profunda, mas sim ajudar as pessoas entender a interação dos atores.

AP (ou em inglês Palestinian National Authority” – É o principal órgão palestino que garante autonomia para os Palestinos que vivem na Cisjordânia e na faixa de Gaza. Importante lembrar que esse órgão só administra assuntos relevantes aos palestinos que vivem nos territórios ocupados e não dos palestinos refugiados em outros países. Foi criada em 1994 como resultado dos Acordos de Oslo com objetivo de administrar o dia a dia dos Palestinos sem envolvimento Israelense. Yasser Arafat foi o 1º presidente da AP, e ocupou o cargo até morrer e passar o cargo para Abu Mazen em 2005. A AP é financiada basicamente pelos USA e União Europeia.

Brigada dos Mártires Al-Aqsa – São o braço terrorista do movimento politico Fatah, o principal movimento politico palestino. O grupo foi fundado por Yasser Arafat em 2004 e é responsável por diversos ataques suicidas e convencionais. Apesar de fazer parte do Fatah já realizou diversos ataques com outras facções terroristas como o Hamas.

Fatah – O maior partido politico Palestino, fundado em 1959 por membros da diáspora palestina, um de seus principais fundadores foi Yasser Arafat. Se tornou a principal força politica Palestina depois da Guerra dos 6 dias em 1967 e segue assim até hoje. Possui diversos grupos armados como Força 17, Black Setember, Brigada Tanzim, entre outros.  

Hamas – Grupo terrorista palestino sunita fundado pelo Sheik Ahmed Yassin em 1987 na 1ª Intifada. Inspirado pela Irmandade Muçulmana e tem como principal objetivo de destruir Israel e criar um estado baseado nas leis islâmicas. Não reconhecem a existência de Israel e acordos firmados pelos palestinos no passado. Foi um dos pioneiros nos ataques terroristas suicidas modernos, hoje em dia o grupo vem utilizando cada vez mais ataques com foguetes contra alvos civis israelenses. O Hamas conquistou a maioria nas eleições parlamentares palestinas em 2006, porem logo depois em 2007 entrou em conflito com o Fatah causando a Batalha de Gaza. O Fatah foi completamente derroto neste conflito perdendo controle da faixa de Gaza para o Hamas, que hoje governa sozinho a Faixa de Gaza, durante o conflito morreram pelo menos 118 pessoas e 500 feridos, o conflito foi marcado por suspeitas de violações dos direitos humanos e execuções contra militantes do Fatah. A liderança do grupo é dividida pela área mais militantes liderada por Khaled Meshaal em Damasco e uma área um pouco menos extremista que fica em Gaza liderado pelo Primeiro Ministro de Gaza, Ismail Haniya. No inicio o grupo era amplamente apoiado e financiado por extremistas sunitas, em especial nos países do Golfo Persico. Recentemente o Hamas se aproximou do Irã, que é xiita e vem recebendo apoio financeiro, politico e militar causando certo mal estar com parte da sociedade palestina que é sunita.

Hezbollah (Em português Partido de Deus)– Grupo terrorista Libanês Xiita e partido politico inspirado pela Revolução Iraniana com objetivo de libertar o sul Líbano de Israel, limpar o país do Imperialismo e proteger os interesses da população Xiita que sempre sofreu perseguição e discriminação. O grupo conseguiu apoio da população Xiita oferecendo serviços sociais para a população carente e restaurando seu orgulho. Apesar do acordo de desarmamento que pôs fim a Guerra Civil Libanesa, o Hezbollah conseguiu manter seu armamento e se tornar uma força politica e militar, hoje em dia o eles são considerados mais fortes que o exercito Libanês e é impossível formar um governo sem o apoio deles. Depois da 2ª Guerra do Líbano o Hezbollah se tornou uma força militar a ser respeitada na região. O Grupo é financiado pelo Irã e muitos analistas consideram o Hezbollah como parte da Guarda Revolucionaria Iraniana.  


PLO, Organização para Libertação da Palestina – Foi criada em 1964 pelo Egito e Jordânia como uma Organização politica e paramilitar com objetivo de “libertar a Palestina” dos Sionistas. Em 1969 pouco depois da derrota Árabe na Guerra dos 6 dias para Israel, Yasser Arafat tomou conta da PLO e enfraqueceu a influencia do seu principal patrocinador, Gamal Nasser, Presidente do Egito. Arafat tornou a organização ainda mais extremista e militante, aumentando ataques contra Israel, principalmente da Jordânia e mais tarde do Líbano. Depois da Guerra civil Libanesa e da derrota na Operação Israelense, Paz na Galileia (também conhecida como Guerra do Líbano) a PLO adotou um discurso mais conciliado que resultou nos Acordos de Madri e de Oslo. Hoje em dia a Organização é reconhecida pela ONU como legitima representante do povo palestino em todo mundo. A PLO é responsável pelo recente pedido de reconhecimento do Estado Palestino na ONU.
Peace Now (Paz Agora) – Principal movimento pacifista Israelense criado em 1977 com objetivo de apoiar iniciativas de paz do então Primeiro Ministro Israelense, Menachen Begin. O Movimento tem como principal bandeira acabar com a Ocupação Israelense dos territórios ocupados conquistados do Egito, Jordânia e Síria durante a Guerra dos 6 dias. O Movimento perdeu muito do apoio popular depois da recusa do Presidente Palestino de assinar o Acordo de Paz proposto pelo então Primeiro Ministro Israelense, Ehud Barak em Camp David no ano 2000.